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A Importância da Prática de Exercício Físico no Cancro da Mama

Buyer Persona (público)

Profisionais de Exercício e Saúde, com procura de mais informação sobre a importância da prática continuada de exercício na promoção de saúde.

Descrição da atividade

O cancro da mama (CM) é o problema oncológico mais comum na mulher. Aproximadamente uma em cada oito mulheres no mundo tem risco de desenvolver CM (Hülya Özlem Şener, Mehtap Malkoç et al. 2017).

Os tratamentos usuais no combate ao CM podem ser locais como a cirurgia (remoção parcial ou total do peito) e radioterapia – utilização de raios altamente energéticos para matar as células cancerígenas, ou sistémicas como a quimioterapia- utilização de fármacos para matar as células cancerígenas, hormonoterapia – impedimento de “acesso” ao estrogénio e progesterona, impedindo o seu desenvolvimento, e terapêuticas dirigidas – incluem anticorpos que identificam alvos nas células cancerígenas que ajudam no crescimento das mesmas, atacando especificamente esses alvos (DGS 2016).

Como consequência dos tratamentos para o cancro da mama, surgem algumas complicações na mulher quer a nível físico como perda de capacidade funcional, perda de amplitude de movimento, dores nos membros superiores, perda de massa óssea, perda de massa muscular, aumento de adiposidade, quer a nível psicológico como depressão, fadiga central e disfunção do sistema imunológico (Cheema, Gaul et al. 2008, Eyigor S, Karapolat H et al. 2010).

Nesta população a prática de exercício físico é utilizada como promotora de função cardiopulmonar, força muscular e resistência em mulheres sobreviventes de CM (Chun-Ja Kim, Duck-Hee Kang et al. 2009, Christina M Dieli-Conwright and Orozco 2015). Estudos suportam que há uma forte associação entre a prática de atividade física  e  os resultados obtidos, havendo uma possível modificação do efeito pelo estádio da doença, índice de massa corporal e estado do recetor de estrogénio (Anne E. Kayl and Meyers 2006). Assim como a redução do risco de morte devido à doença (Michelle D. Holmes, Wendy Y. Chen et al. 2005).

O treino predominantemente aeróbio e o treino de força têm efeitos significativos  em vários aspetos relacionados com a qualidade de vida como sintomas de fadiga, dor do braço, depressão, entre outros (Christina M Dieli-Conwright and Orozco 2015). Os fatores psicológicos poderão ter como explicação a libertação de hormonas de relaxamento como a serotonina durante a prática de exercício.

O treino predominantemente aeróbio é indicado como eficaz para o impedimento de ganhos de gordura (possivelmente porque as fibras tipo I recrutadas neste tipo de treino possuem maior número de mitocôndrias, e consequentemente maior utilização de gordura) e o treino de força para o aumento e manutenção da massa muscular (pelo estímulo de hipertrofia nas fibras musculares tipoII) em mulheres com tratamento por quimioterapia (Kerry S. Courneya, Roanne J. Segal et al. 2007).

Ainda assim, na minha opinião, a implementação de um programa de exercício físico deve comtemplar estes dois tipos de treino como forma de melhorar e minimizar os efeitos da doença.

Outras metodologias de treino, fora o tipicamente treino de força e predominantemente aeróbio, têm surgido. Nomeadamente o treino intervalado de alta intensidade tem-se revelado vantajoso no incremento da qualidade de vida, força muscular e resistência (Sebastian Viktor Waldemar Schulz, Roman Laszlo et al. 2017) em mulheres sobreviventes do CM. Neste caso, uma vez que as mesmas poderão sofrer de altos níveis de fadiga central, sugiro que a intensidade de esforço seja controlada de forma subjetiva com uma escala de Borg, por exemplo, tal como o estudo propõe.

Ainda assim, a principal aposta por parte de todos os profissionais de saúde e exercício, deverá passar pela promoção da prática continuada de exercício físico de forma a prevenir o aparecimento da doença. Song Wu, Scott Powers et al, 2016, apresentaram na sua revisão a influência dos fatores extrínsecos na propensão de cancro, onde se pode verificar (na tabela abaixo) que o estilo de vida como a dieta, consumo de álcool e excesso de peso (consequências da má nutrição e sedentarismo), são em grande parte responsáveis pelo aparecimento do CM. (Song Wu, Scott Powers et al. 2016).

Desta forma, podemos concluir que a prática continuada de exercício físico, aliada a uma dieta equilibrada, são fundamentais quer no tratamento do CM, assim como na prevenção.

Cabe, na minha opinião, aos profissionais de saúde e exercício promover a importância de um estilo de vida saudável.

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